O jogo infinito do empreendedorismo

Com alguns conceitos da Teoria dos Jogos podemos identificar do que se trata a jornada de se tirar uma ideia do papel e empreender, de modo em geral. Existem dois tipos de jogos, os jogos finitos e os jogos infinitos:

Finitos:

  • Os jogadores são conhecidos
  • As regras são conhecidas e são aceitas por todos
  • Todos concordam com o objetivo final

Futebol é um exemplo de jogo finito. Regras claras, você sabe quem está jogando e tem apenas um objetivo, ganhar pelo número de gols.

Infinitos:

  • Existem jogadores conhecidos e desconhecidos
  • As regras são variáveis e nem todos concordam com ela
  • O objetivo é apenas perpetuar o jogo, até que os jogadores fiquem sem recursos ou sem vontade de continuar. E esses jogadores então, são substituídos e o jogo continua.

A Uber, por exemplo, era um player desconhecido, não concordava com as regras e dominou o jogo de mobilidade em grande parte do ocidente.

O “jogo” do empreendedorismo, como você pode perceber, é um jogo infinito. Embora muitos discordem do fato que o objetivo seja perpetuar no jogo, é melhor ir se acostumando porque, por no mínimo durante alguns anos, o seu jogo será o “jogo da sobrevivência”. E é aqui que muitos erram. O objetivo não é ficar milionário rápido, o objetivo não é vender a empresa, o objetivo não é crescer e nem captar investimento. O seu objetivo é sobreviver, e esse é um jogo infinito. Pode parecer um objetivo sem graça, quando comparado a ser a maior Fintech do mundo, ou criar o maior site que conecta A com B do mundo, ou mudar o mundo pra melhor, mas é a realidade, e estou escrevendo esse texto para alinhar as expectativas.

Obviamente ter um grande sonho que te inspire e inspire outros é crucial, mas como uma ferramenta, não como objetivo.

Em um jogo onde os jogadores podem ser desconhecidos, as regras são variáveis e o objetivo é perpetuar, não há nada que você pode controlar no que tange a externalidades. Eu explico, no meu caso estou montando uma empresa de educação financeira do zero, eu não influencio nas decisões do Banco Central, não sei exatamente quem são todos os competidores e eu não concordo com as regras. Nada disso eu posso controlar. E como diria Andre Agassi, “control what you can control”. O que você pode controlar são suas atitudes, seu sono, sua ansiedade, sua saúde mental, etc.

Se o jogo é infinito porque você se sente tão mal de não produzir durante um dia? Ontem eu não dei tudo de mim no meu trabalho, dormi mal, estava enjoado desde de manhã, me forcei a trabalhar até o horário que costumo trabalhar, não rendi o que queria, tive dor de barriga que eu tenho certeza que foi ansiedade, e me frustrei. Hoje refletindo sobre o meu dia de ontem eu percebi que deveria ter me respeitado. Ir pra cama mais cedo, parar para ler um livro no meio do dia (por que não?), me alimentar bem, praticar um esporte. E hoje estaria bem melhor para voltar focado e resolver tudo o que preciso. No final, se eu tivesse me respeitado ontem, o hoje seria melhor. E esse é o grande aprendizado.

Se o jogo que estamos jogando é infinito e tem regras variáveis, de onde tiramos que precisamos estar 100% todos os dias pra jogar? Um jogador de futebol treina 8hs por dia para jogar por 90 minutos duas vezes na semana. Qual o seu treino? Qual o seu jogo? Essas questões me fizeram refletir sobre a forma como eu estava levando a vida nos últimos meses, e quis compartilhar com vocês. E você, já parou para pensar de que forma e para qual jogo você quer treinar?

Eterno curioso. Escrevo sobre os pensamentos que vem na minha cabeça, quando vem, e com os sentimentos que os acompanham.

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