Sobre a confiança de questionar

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Eu tinha mais ou menos seis anos de idade quando eu vivi um momento com meu pai que eu nunca mais esqueci, e a partir dele eu vivi outros momentos marcantes justamente porque eu tinha aprendido uma grande lição, que só saberia dar o verdadeiro valor hoje.

Nós estávamos em um barzinho na cidade de Mateus Leme, interior de Minas Gerais, quando eu perguntei para o meu pai, como eu poderia fazer para ganhar dinheiro. A resposta dele foi simples a até aí comum, “trabalhando meu filho”.

Na sequência eu fiz outra pergunta, agora eu queria saber como eu faria para arrumar um trabalho. E é aí que para mim foi a diferença entre o que a maioria das pessoas responderia e o meu pai, ele disse: “Você tem que ser educado e pedir para quem está trabalhando se tem trabalho disponível.”

Eu poderia pensar em umas 500 formas de responder o “eu de seis anos” que não fosse essa. Que colocasse alguma barreira entre o que eu gostaria de descobrir e o como eu iria descobrir. A brilhante resposta do meu pai fez com que eu não perdesse mais tempo e fosse logo tentar arrumar um primeiro “emprego”.

Logo depois dessa conversa rápida fui pedir ao garçom se tinha trabalho disponível e ele me indicou a falar com o “moço do caixa”.

Eu: Moço teria como eu trabalhar pra você e ganhar algum dinheiro hoje

Moço do caixa: Se você recolher os cardápios das mesas e entregá-los aos garçons eu te dou 10 reais

Foi o que eu precisava ouvir, passei o resto da noite recolhendo os cardápios e interagindo com os clientes do bar e ao final de tudo isso, muito além dos 10 reais eu ganhei um dos maiores aprendizados que eu poderia ter tido, eu aprendi a ter a confiança de perguntar.

Esse foi o dia que eu aprendi a pedir, a questionar e não me satisfazer com uma resposta, eu precisava testar, eu precisava sentir. É o famoso “you don’t ask, you don’t get”

Hoje eu me vejo muitas vezes em momentos de dúvida, incertezas e muitas vezes sinto que estou mais perdido que do que eu planejava estar a essa altura do campeonato. Mas pedindo ajuda, questionando, não me satisfazer com apenas uma resposta e sentir de fato o ambiente sempre foi o caminho que eu escolhi, e tem sido desde então o caminho que tem me levado aonde eu tenho que chegar.

Eterno curioso. Escrevo sobre os pensamentos que vem na minha cabeça, quando vem, e com os sentimentos que os acompanham.

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